Combustível sonoro para mentes inquietas

            O 7º Festival Música Estranha acontece entre 21 e 24 de novembro de 2019, em diversos pontos de São Paulo, SESC Av Paulista, SESC CPF, Jazz nos Fundos e Centro Cultural Al Janiah. Com a proposta de destacar o trabalho de artistas inquietos, que correm riscos, exploram novos caminhos e abordagens musicais, que transitam entre gêneros e linguagens distintas como live cinema, teatro musical, arte sonora e performance.

            Entre os destaques desta edição a residência Nonclassical/Música Estranha traz a São Paulo a parte da cena musical de Londres. É uma residência em parceria com a produtora Nonclassical, liderada pelo compositor Gabriel Prokofiev, neto do renomado compositor russo Sergei Prokofiev. Ele é britânico e desenvolve um trabalho de referência que ressignifica a tradição da música clássica contemporânea buscando conexões com a sociedade hoje. A cena em Londres é bastante modelar no meio de música de invenção e nela um nome de destaque é Laura Bowler, compositora e multiartista, que se autodenomina artista vocal - conceito que eleva o status de simples soprano ou cantora. Ela entende a voz como um instrumento, capaz de cantar canções, letras, mas também sons, ruídos e técnicas vocais estendidas sempre numa abordagem teatral. Com uma formação artística sólida e atuação abrangente Laura é uma compositora de mão cheia, com inúmeros comissionamentos - renomadas orquestras, institutos culturais e ensembles encomendaram obras a ela. Além disso Bowler é diretora artística de uma pequena companhia de nova ópera, a Size Zero Ópera. Ela se junta ao videoartista brasileiro Raimo Benedetti e jovens músicos, sobretudo do grupo Ateliê Contemporâneo, chefiado pelo compositor Tiago Gati, para uma criação coletiva com a temática "Mudanças no Clima".

 

            O Festival traz também de Londres dentro da residência Nonclassical/Música Estranha o músico, designer de instrumentos e pesquisador Tom Richards. Tom defendeu seu doutorado sobre a obra da compositora britânica Daphne Oram, uma das precursoras da música eletrônica e criadora de um dos primeiros sintetizadores do mundo, o Oramics, o qual a partir de desenhos abstratos gera sons e timbres artificiais. Tom desenvolveu uma versão contemporânea desse instrumento chamada Mini Oramics, o qual traz ao Festival para realizar um workshop além de uma palestra sobre a vida e obra da renomada compositora britânica.  

 

            Também destaque da programação é o grupo dinamarquês Scenatet que se autodenomina "Ensemble for Art Music", transcendendo o conceito de grupo de câmara tradicional de música clássica contemporânea. Fundado pela artista Anna Berit Asp Christensen em 2008, Scenatet é reconhecido como um dos grupos mais inovadores da música nova na Europa, com um trabalho que transita por diferentes gêneros artísticos, passando pelo teatro, vídeo, artes visuais, performance e outros ainda sem limites claros. Scenatet apresenta no Festival dois concertos diferentes com obras de artistas da cena dinamarquesa e européia.

 

            Na curadoria de artistas brasileiros o Festival apresenta a nova cena de música experimental e improvisada com artistas como Gilberto Monte, compositor e produtor musical de Sergipe radicado em São Paulo que desenvolve um trabalho autoral com guitarra processada e aparatos analógicos. Também destaque é a dupla Mirella Brandi e Muep Etmo que desenvolve um trabalho multimídia de referência na cena indie de São Paulo.

 

            Desde 2014 o Festival oferece o Música Estranhinha, uma seleção de oficinas voltadas ao público infantil. Em 2019 iremos apresentar a oficina Ruídos do Magnetismo - experimentações sonoras para crianças, criada e ministrada pelo músico André Damião. Ruídos do magnetismo é uma oficina e intervenção sonora na qual o objetivo é criar uma instalação sonora imersiva com intuito de incentivar formas de materiais musicais não habituais, introduzindo-as ao universo da criação sonora interdisciplinar e expandida. 

 

            O 7º Festival Música Estranha é uma realização da ÁguaForte Produções e tem curadoria do compositor e produtor musical Thiago Cury, que desde 2006, desenvolve projetos culturais especiais produzindo mostras, concertos, gravações, discos e publicações de partituras. Atuou como consultor musical no Ministério da Cultura e foi diretor do Centro de Música na Fundação Nacional de Artes-Funarte. Participa ativamente de festivais e mercados de música no Brasil e no mundo como curador, palestrante, consultor ou representando seu selo e editora. Thiago é formado em Composição pela Universidade de São Paulo (USP).

 

            A edição 2019 traz uma parceria com o SESC São Paulo - SESC Av Paulista e Centro de Pesquisa e Formação do SESC.

            Para a vinda do grupo Scenatet o Festival tem o apoio do Instituto Cultural da Dinamarca, do Danish Arts Foundation, KODA, SNYK e Knud Højgaard Fond.

            Para a residência Nonclassical/Música Estranha o Festival tem o patrocínio do British Council e Oi Futuro dentro do programa Pontes.